Você por Clarissa Corrêa




Ela pode. Pode ter o homem que quiser, pode ser quem quiser. Mas ela escolheu você, quer ser quem você deseja. Você parece não notar, mas ela está ao seu lado. Ela não se segura, não disfarça o que sente e não usa armaduras. Não consegue, não sabe e nem quer ser diferente do que é. 

Tem várias facetas, não tem medo e morre de medo. Não tem medo de sentir, mas está com medo do que sente por você e não sabe se o medo maior é do que vai no coração ou de que dê tudo certo. Medo de dar certo? 

Ela não é completamente normal. Nem anormal. Ela só é ela, com todos os seus cantos, esconderijos, degraus, pontes, abismos. Nunca sentiu por ninguém o que sente por você, pois...ela não vê graça em outras pessoas. Não esquece o seu rosto e não possui o menor interesse em outros. Ninguém é como você. E ela sempre quis alguém como você. E você apareceu agora. E levou todos os sentidos dela. É a sua boca que ela deseja, seu perfume que quer sentir, seu corpo que quer ao lado e você que ela quer provar. É por você que ela sente tesão. Ela sente falta de você. E de tudo que vocês não viveram (ainda). 

É você que a deixa feliz ou triste e, acredite, é muito fácil fazê-la feliz. Qualquer coisa a faz feliz. Você sabe, não sabe? Você diz que não corresponde as expectativas dela. Mas ela não é megalomaníaca no quesito felicidade. Pequenos gestos, demonstrações e ações a deixam sorrindo. Creia, são coisas simples. Não é nada impossível, difícil ou complicado. Pense em como você gosta de ser tratado. Você gosta que ela goste de você? Você gosta de carinho? Ser bem tratado? Saber e sentir que ela é apaixonada por você? Você gosta do cuidado e da preocupação que ela tem por você? De como ela se importa com a sua vida. De saber que você está bem. Como ela quer ajudá-lo. E estar ao seu lado. E estar ali, pra dar uma força se, por ventura, você deixar a peteca cair. Se coloque no lugar dela, pelo menos uma vez. 

Ela está aí porque quer. Porque gosta do jeito que ela é com você. Porque gosta de você. Se não fosse por isso já teria ido embora. Mas não. Ela não quer ir pra outro lugar. Porque ela fica triste longe de você. O mundo fica esquisito e anda de uma forma devagar e lenta sem você. Por isso ela nunca quis que você pensasse em ir. Ela gosta de música, dias bonitos, cachorros, brisa do mar, sol, frio, sentir o vento dançando nos cabelos, rir até a barriga doer, falar besteira, desenvolver "teorias" malucas, filmes, viajar, chocolate, arte, você. 

No meio disso tudo você sabe quem ela é e como se sente. Ela gosta do seu jeito manso e doce. Do seu lado carente e delicado. E da sua postura de homem firme. E tem ciúmes de você. Ela gosta das suas palavras carinhosas e do seu lado divertido. Do seu jeito infantil de não saber lidar com pequenos contratempos. De você como um todo. O que ela quer? Que você se abra. Que seja sempre você. E que sinta o mesmo que ela. Mais nada. E, quem sabe, qualquer dia ligar pra dizer que sente saudade.






Terra de gigantes...







Tenho amigas que posso contar nos dedos, maravilhosas! O último post repercutiu entre elas e algumas me procuraram preocupadas… Gente, tá tuuuudo certo. Tudo sob controle! 

Uma em especial me deu um sacode, acho importante escolher a amiga certa nessas horas. Ir atrás da que te dá porrada na cara, sabe? Nada de amiga (o) conto de fadas que vai entrar na sua onda e pirar ainda mais com mil possibilidades inexistentes… Infinitos "e se" que vão te atrasar alguns bons dias (quem sabe meses!) insistindo nas coisas erradas.

É estranho dizer (escrever), mas me vi na estória daquele nobre, patético e também corajoso: Dom Quixote de La Mancha e seu fiel escudeiro Sancho Panza. Eu explico o contexto pra voces entenderem…

Em suas andanças Dom Quixote vê ao longe vários gigantes, ao que seu escudeiro lhe diz que não são gigantes e sim moinhos de vento. Dom Quixote não se convence, e corre com seu cavalo em direção ao terrível  inimigo e quando se aproxima bate com força contra uma das hélices do moinho da qual lança o cavaleiro para looonge. Sancho socorre Dom Quixote, que por sua vez não dá o braço a torcer, levantando-se diz que trata-se de mais uma magia do feiticeiro ao notar que estava vencendo, transformou o gigante em moinho.

Me vejo como Dom Quixote enfrentando alguns problemas do qual julgo serem gigantes, no entanto ao me aproximar e encarar descubro que são apenas moinhos de vento
Ahhh! Nem era tão difícil assim… E que alegria poder contar com minhas amigas e "escudeiras"! Especialmente você Honey, que apesar de bater forte (outch!), faz toda diferença. 



Sobre sonhos e brigadeiro






A gente passa uma vida toda procurando, né? Vocês também tem essa sensação? De que tá sempre faltando alguma coisa? Um sonho, um amor, uma promoção no trabalho, o sapato lançamento, a casa na praia, a viagem, o curso, a grana… Parece que estamos jogando para frente o tempo inteiro. Adiando. Para o tal dia da conquista disso ou daquilo. Que provavelmente quando chegar já teremos mais mil outras prioridades empilhadas na caixinha de pendências. De vazio. De que ainda falta tanto para chegarmos onde planejamos.
Esses dias, entrei em crise momentânea profunda. Alguns amigos não me deixam mentir. A tpm ainda deu uma forcinha na coisa toda e me acabei de chorar algumas muitas horas. Nostálgica por um tempo que não vivi. Do que ainda me falta. Tão estranho isso… Será que vocês entendem o que tô falando?
E eles me perguntavam o que estava acontecendo e eu não sabia muito o que dizer… “Estou chegando nos trinta talvez. Deve ser isso. Trinta. Uau. Trinta é muito. E ainda não conquistei  nem metade do que gostaria… Ainda me falta tanto!”. Talvez fosse isso. Talvez fosse só tpm mesmo. Talvez os dois.
E quando dizia do que me falta conquistar, tava falando da busca mais espiritual mesmo. Daquilo que não se explica, sente. Do que dinheiro nenhum no mundo compra, sabe? De você acordar todos os dias de bem com você mesma. Feliz de estar vivendo exatamente a vida que escolheu viver. Mesmo que alguns planos não saiam do jeito que sonhou. Mesmo que o tempo não seja exatamente o do seu calendário. Que demore um pouco mais. Um pouco menos. Que não venha. Ou que venha quando você menos esperar. Quando não tiver mais pensando nisso. Ah, essa é sempre a melhor possibilidade! Quando a vida surpreende!

Eu com 15 anos achava que com 30 estaria casada e com filhos. E hoje com 20 e muitos quase não penso muito no amor. Eu vivo. Não deixo de viver. Mas não penso. Taí o amor, ótimo exemplo do que não se explica, se sente, e ponto. Sem regras. Nunca se sabe quando trata-se de amor. E saber lidar com ele e com as voltas que ele te dá exige muita, muita, muita evolução espiritual! Aí com 20 e poucos você acha que não vai existir vida depois do "pé na bunda" e com 20 e muitos, 30, 40, você abre um vinho e espera passar. E aí viver vai começando a fazer mais sentido… Mesmo que na dor. Mesmo que na frustração. Mesmo quando as coisas estão longe de sair do jeito como gostaria.
A gente se preocupa tanto, tanto, tanto traçando metas que acabamos deixando o hoje passar. Falo por mim mesma. E tenho certeza que vai ter um tanto aí se reconhecendo. Você quer tanto uma coisa, foca tanto naquilo, coloca a responsabilidade da sua felicidade toda ali e vai perdendo o detalhe. A árvore florida do lado de fora, sabe? O olhar fica destreinado. E tem taaaaanta poesia por aí… Tanta! Mesmo num mundo cheio de dificuldades e diferenças. Prometo que se condicionar o olhar vai achar poesia a cada esquina… Ah prometo.
Samuel Vieira, uma pessoa muito especial pra mim, disse outro dia: "Se algo não tem solução, pra quê se preocupar? E se tem solução, pra quê se preocupar?" Achei interessante. A verdade, é que existem coisas absolutamente insolúveis, então o que podemos fazer é DESCANSAR.

Não tô aqui dizendo para ninguém desistir de nada. Para não ter metas. Objetivos. Imagina! Sou teimosa e cheia de sonhos. Muitos. E nada me chateia mais do que gente que me propõe parar de sonhar. Afffff… Jamais me atreveria a opinar nos sonhos de alguém. Tô falando da caminhada… Da batalha. De enfrentar a vida enquanto isso ou aquilo não chega. De estar presente no seu presente. Viva (o). Inteira (o). Olhar atento. Coração pulsando.
Quero saber enfrentar o que vier, sabe? Li esses dias a frase do Leminski que diz “não discuto com o destino, o que pintar eu assino” e é bem isso. A evolução que busco é a de saber dançar conforme a música. É rir do desvio. É não gastar tempo com o que não tem solução. Rir da derrota. Ou simplesmente enfrentá-la com elegância. 
Essa vida é tão louca e tem tanta coisa que a gente só vai entender lá na frente… E perdemos tanto tempo presos na tecnologia. No last seen do cara, na foto postada, na vida do outro… Gastamos taaaanto tempo remoendo o que não deu certo. Dias e dias jogados fora.
Não passou no concurso? Não ganhou a promoção que queria? Perdeu para concorrência? Invista em você. Em novas possibilidades. Cursos. Preparo. Pula a parte do rancor do “porque ela (e) e não eu” e vá atrás do que realmente você pode controlar. Do que você pode se proporcionar! Quem sabe uma noite com brigadeiro afundada em pesquisa de cursos e possibilidades. Caminhos para seguir. Bifurcar. Ou mesmo uma série que te distraia. E (de novo!) a vida vai voltando a fazer sentido… O que você pode fazer por você mesma (o). Como reagir quando a bomba atacar. Quando tropeçar. Ou qualquer surpresa ruim chegar.
Sugiro um fone de ouvido e uma longa caminhada… 
Ou um brigadeiro…
Ou algum tempo sozinha. Uma viagem sozinha então para renovar e apurar o olhar para quem puder se dar… Nada melhor!
Se entregar mesmo ao imprevisível. Que o ruim vem mas o bom também pode gritar. Que você não faz idéia de quem vai trombar a cada esquina. Que a vida pode te presentear. Ah, tem taaaanta poesia em não saber o que esperar… Em estar aberto ao mundo. Em sair de casa. Em olhar no olho do estranho. Em dar bom dia para o desconhecido. Em não ter medo de se jogar. Em conversar. Em topar. Em experimentar. É só a gente saber cair e levantar. Alguns tombinhos não matam, prometo. E no meio de tanta curva é estar lá para brindar o que de bom chegar!
E assim a gente vai vivendo… Mais leveza. Suavidade. No caos e na mais perfeita felicidade. Quando fizer o gol ou na desclassificação. É a tal da plenitude que ainda me falta tanto para chegar. Aquela do começo do texto. Ainda dou os meus tropeços. Me pego deixando de viver e logo me puxo de novo pro prumo. Tô no caminho. Chego lá. Chegaremos!
E Deus continua sussurrando: “Não desista, o melhor ainda está por vir.”
(Caio Fernando Abreu)